“O Brasil não é viável sem as reformas”, diz o ex-ministro Mailson da Nóbrega
Empresários, políticos, autoridades, diretores e gestores do Sistema FIERN lotaram o auditório do Holiday Inn, na noite de quinta-feira, 25, Dia da Indústria, para ouvir a palestra do ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega. Realizada pela Federação das Indústrias, dentro da Semana da Indústria, a palestra teve como tema “Perspectiva da Economia Brasileira” e o palestrante, apesar de reconhecer as dificuldades que o país atravessa, manteve um tom otimista e defendeu enfaticamente as reformas como maneira de superação da crise. “O Brasil não é viável sem as reformas. Sem resolver o problema da previdência. O Brasil não cresce sem a modernização da obsoleta legislação trabalhista. É preciso reformar o país”, disse o ex-ministro.
Segundo Mailson da Nóbrega, o Brasil em 2017 saiu da recessão, mas a recuperação é cíclica – por meio da ocupação da capacidade ociosa – e depende da aprovação dos projetos das reformas previdenciária e trabalhista. Em todo o país, a indústria apresenta 30% da capacidade instalada ociosa e o desemprego já atinge 14 milhões de pessoas.
Esta conjuntura, analisa ele, influencia o mercado a uma retomada mais lenta. “Por isso, 0,5% de crescimento do PIB é uma projeção medíocre. E um novo ciclo de crescimento com ritmo mais pujante depende de um ambiente de negócios que estimule a retomada de crescimento e a produtividade”, frisa. Para isso, acrescenta o ex-ministro da Fazenda, a aprovação da reforma da previdência e modernização das leis trabalhistas são necessárias para que o país volte a preencher a capacidade instalada, aumentar a produtividade e gerar emprego.
Sem a reforma da previdência, avalia o consultor, o Brasil entrará numa situação de “total insolvência fiscal” e retorno ao crescimento da inflação. “Tende a prevalecer a responsabilidade da classe política. A oposição que está contra as reformas dificilmente vai interrompê-las e o Brasil começará a retomar um crescimento lento da economia, de 0,5% do PIB este ano”, avalia. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país. Em 2016, o PIB brasileiro caiu pelo segundo ano seguido e confirmou a pior recessão da história do país, segundo dados divulgados pelo IBGE. A projeção é que o crescimento este ano seja de 0,5% e em 2018 cresça num ritmo de 2,8%, segundo estima o economista.
O presidente do Sistema FIERN, Amaro Sales de Araújo, em seu discurso afirmou que lamentavelmente a instabilidade política evitou o avanço na velocidade desejada, mas a hora das mudanças chegou. “Todos nós precisamos entender que diversas matérias exigem revisão”, afirmou o industrial potiguar. Para o presidente da FIERN, é preciso continuar a avançar. “O ambiente de negócios precisa ser desobstruído em favor da manutenção e da criação de empregos. Somente um País com suficiente oferta de empregos poderá oferecer qualidade de vida ao seu povo.”

