Presidente da Funai é exonerado do cargo em meio a tensão com índios
Em meio a um momento de tensão na área indígena, com vários conflitos agrários entre índios e fazendeiros, o governo federal exonerou o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio da Costa, conforme o Correio havia antecipado em 20 e 23 de abril.
A decisão, assinada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi publicada na edição desta sexta-feira (5/5) do Diário Oficial da União (DOU). Ainda não se sabe quem será o substituto, mas integrantes do PSC já dão como certa a escolha do ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB). A vaga é do PSC, que deve indicar o novo nome.
O motivo da saída seria a pressão que ele tem recebido para nomear apadrinhados políticos. De acordo com o presidente do Instituto Socioambiental, Márcio Santilli, “o presidente já estaria esperando a demissão faz tempo e é um absurdo esse loteamento político enquanto os índios passam necessidade”. Antônio Costa estava à frente da Funai desde 17 de janeiro, quando tomou posse.
Ele também acompanhou nas últimas semanas momentos difíceis para as políticas indígenas, por conta de vários conflitos por terra entre índios e fazendeiros, que tem tomado severas proporções. No último final de semana, um conflito agrário no Maranhão deixou ao menos dez pessoas feridas, entre índios da etnia Gamela e fazendeiros.
Na terça-feira (2/5), Antônio da Costa afirmou que um corte de 44% no orçamento do órgão, “mão de obra escassa” e grande volume de processos impossibilitam o acompanhamento de todos os pedidos de demarcação de terras indígenas protocolados no órgão. A Funai perdeu, só neste ano, 347 cargos por meio de decreto, assinado pelo presidente Michel Temer, e sofre com severos cortes de orçamento há mais de dez anos. O corte deste ano foi de mais de R$ 18 milhões.
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