Especialistas afirmam que boa qualidade do ar em Natal depende da união da população com a gestão pública
Especialistas em qualidade do ar estiveram reunidos na manhã desta terça-feira (6), no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, para participar do III Fórum de Discussão: Qualidade do Ar em Natal e Políticas Públicas. O encontro faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente, promovida pela Prefeitura de Natal. Um ponto em comum ficou patente nos debates. A manutenção da qualidade do nosso ar depende de atitudes tomadas por todos.
Os palestrantes abordaram diversos ângulos relativos a questão da qualidade do ar na cidade. A primeira palestra foi ministrada pela professora Judith Johanna Hoelzemann/UFRN, que falou sobre os Estudos da composição química da atmosfera nas áreas urbanas do Brasil: Qualidade do Ar e Clima.
A palestrante criticou a decisão dos EUA de abandonar o acordo do clima e teme que a atitude influencie ainda mais no aquecimento global. No entanto, ela acha que isso pode levar a um “descolamento” da Europa em relação aos norte-americanos, o que faria com que os europeus tomassem decisões independentes e mais próximas do interesse do Meio Ambiente.
A professora Hoelzemann apresentou dados das pesquisas que realiza na capital potiguar, utilizando equipamentos de ponta como por exemplo, um que emite um feixe de laser em direção a atmosfera e que é capaz de registrar que tipo de partícula circula pela atmosfera superior em Natal. Como curiosidade, a pesquisadora citou a passagem, por sobre a cidade, da poeira que vem do deserto do Saara. “Essa poeira passa por aqui e se deposita na floresta amazônica. É ela quem fertiliza o solo por lá. Ou seja, se ela não chegasse à floresta, provavelmente não existira uma abundância vegetal tão grande naquela região”, explicou.
A UFRN espera formalizar parcerias para aprofundar as pesquisas na área. Por isso, a professora considerou importante a realização do Fórum, na qual pode-se trocar informações e buscar saídas práticas para as necessidades de cada entidade de pesquisa.
O diretor do Parque da Cidade, Carlos da Hora também aprovou o Fórum e espera contar com essas parcerias para atingir uma marca ousada no Dom Nivaldo Monte. “Em princípio temos a meta de produzir 20 mil mudas para um trabalho de recuperação vegetal no Parque. No entanto, queremos chegar ao objetivo final de recuperar todas as áreas degradadas. Para isso teremos que produzir cerca de 300 mil mudas. Esperamos conseguir isso, até porque sabemos que a cobertura vegetal é importante para manter a qualidade do ar de nossa cidade”, explicou.
Segunda palestrante do dia, a professora Maria Paulete Martins, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – IMPE enfatizou que a responsabilidade pela qualidade do ar em Natal não deve ser restrita aos órgãos públicos. “Todos nós somos responsáveis pela qualidade do ar na cidade. Cada ser vivo gera resíduos e consome durante toda sua vida. Quanto mais a gente conseguir diminuir o que a gente chama de pegada ambiental, melhor para o planeta”, analisou.
Para ela, aliada as políticas públicas de mitigação dos danos ao meio ambiente, precisa haver uma mobilização da população para que sejam diminuídos o consumo e a produção de lixo de todos, além da destinação correta para os resíduos.
O palestrante Eiblyng Scardini Menegazzo, da Fetronor – Federação das Empresas de Transportes do Nordeste, foi enfático em relação a necessidade de sinergia entre o planejamento público e as atitudes das pessoas. “Não adianta de nada se as pessoas não perderem essa cultura do carro. A saída para diminuir a poluição é aumentar o investimento em transporte coletivo”, disse.
Menegazzo apresentou dados que mostram que a poluição em Natal tem como fonte praticamente exclusiva o excesso de carros nas ruas. “As faixas exclusivas de ônibus às vezes recebem críticas, mas em Natal, os carros e motos são os maiores poluidores. As emissões dos ônibus, por exemplo, não chegam a 0,1% do que é produzido aqui. Além disso, é uma questão social. Como você não vai dar passagem a um veículo que leva 80 pessoas se você está sozinho no seu carro? O direito de 80 pessoas vale mais que o direito de uma só, até porque, você, sozinho no seu veículo, está poluindo mais que aquelas 80 que estão no transporte coletivo. Isso é justiça social”, justificou.
O III Fórum de Discussão: Qualidade do Ar em Natal e Políticas Públicas ainda teve palestras de Fabiano Carvalho do Rêgo/Secretária Municipal de Saúde de Natal – SMS, que falou sobre Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador no monitoramento dos agravos respiratórios em Natal/RN, ressaltando os custos na saúde para tratar problemas que são resultantes da poluição do ar.
Quem concluiu o evento foi Leonardo Almeida de Araújo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo ( Semurb), que falou sobre fiscalização ambiental e a inibição da poluição atmosférica em Natal.
A mediação do Fórum ficou sob a responsabilidade de Maria das Neves Valentim. Bancária aposentada, integrante do Conselho Comunitário de Ponta Negra e do Coletivo Dez Mulheres da Vila Ponta Negra, além dearticuladora para o RN do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, da CNBB; Professora de História e assessora da Escola Fé e Política Padre Humberto Plummen, do Regional Nordeste2 da CNBB.

